Como escolher o melhor método anticoncepcional para você?

Neste artigo
“Doutor, qual é o melhor anticoncepcional?”
Uma mulher que esquece comprimidos com frequência provavelmente precisa de uma estratégia diferente daquela que faz questão de menstruar todos os meses. Quem tem fluxo menstrual intenso pode ter necessidades diferentes de quem quer evitar hormônios. E algumas condições de saúde tornam determinados métodos menos seguros.
Por isso, não existe um anticoncepcional que seja o melhor para todas as mulheres.
Existe o método que oferece uma boa combinação entre segurança, eficácia e praticidade para você.
Antes de escolher, eu faria estas 5 perguntas
Quando converso sobre contracepção no consultório, gosto de começar entendendo a rotina e as prioridades da paciente.
1. Você conseguiria lembrar de tomar um comprimido todos os dias?
2. Quer engravidar em breve ou prefere passar alguns anos sem se preocupar com isso?
3. Como é sua menstruação: fluxo intenso, cólicas, irregularidade?
4. Você gostaria de menstruar normalmente, reduzir o fluxo ou não se importaria em ficar sem menstruar?
5. Existe alguma condição de saúde que interfira na escolha?
As respostas já ajudam bastante a diminuir a lista de opções.
“Eu esqueço até de tomar vitamina. Pílula é uma boa ideia?”
Talvez exista uma opção mais prática para você. A pílula pode funcionar muito bem, mas depende da usuária lembrar de tomá-la corretamente. E a vida real não é perfeita: viagens, finais de semana, mudanças de rotina e simples esquecimentos acontecem.
Se você sabe que teria dificuldade em manter esse hábito, métodos que não dependem de uma ação diária podem fazer mais sentido.É aí que entram, por exemplo, o DIU e o implante contraceptivo. Depois de colocados, eles funcionam por anos sem que você precise lembrar deles todos os dias. Além disso, estão entre os métodos contraceptivos reversíveis mais eficazes disponíveis: menos de 1 em cada 100 usuárias engravida no primeiro ano de uso.
DIU hormonal ou DIU de cobre?

O DIU de cobre não contém hormônios e pode ser uma ótima alternativa para quem deseja contracepção de longa duração sem utilizar método hormonal. Em algumas mulheres, porém, ele pode aumentar o fluxo menstrual e as cólicas.
Já o DIU hormonal libera levonorgestrel dentro do útero e costuma reduzir o sangramento menstrual. Algumas mulheres passam a menstruar muito pouco ou até deixam de menstruar durante o uso.
Por isso, uma paciente que já apresenta fluxo intenso e muita cólica pode ter uma experiência bem diferente com cada um deles. A FEBRASGO destaca justamente o padrão de sangramento e o histórico clínico entre os fatores importantes nessa escolha.
“Não quero colocar DIU. Quais são minhas opções?”
Além das pílulas, existem anel vaginal, adesivo, anticoncepcionais injetáveis e implante, entre outras possibilidades.
E aqui eu não acho muito útil apresentar uma lista enorme de vantagens e desvantagens. Prefiro pensar na rotina.Se você gosta da ideia de controlar quando começa e interrompe o método e consegue manter uma rotina diária, a pílula pode ser uma opção.
Se tomar algo diariamente parece difícil, mas você também não quer um dispositivo dentro do útero, anel, adesivo, injetável ou implante podem entrar na conversa.
Se a prioridade é passar anos sem precisar lembrar do anticoncepcional, DIU e implante ganham bastante vantagem pela praticidade e alta eficácia.
E se eu não quiser usar hormônios?
Não usar hormônios também é uma preferência legítima. Entre as opções está o DIU de cobre, além dos métodos de barreira, como o preservativo.
Muitas mulheres podem utilizar contraceptivos hormonais com segurança. Em outras, determinadas formulações realmente não são recomendadas por causa do histórico clínico. A Organização Mundial da Saúde mantém critérios específicos de elegibilidade para orientar a segurança de cada método diante de diferentes condições de saúde.
Nem toda mulher pode usar qualquer pílula
Algumas pílulas, assim como o anel e o adesivo, possuem estrogênio.
Existem situações em que contraceptivos combinados com estrogênio podem representar um risco maior e precisam ser evitados ou cuidadosamente avaliados.
Um exemplo bastante conhecido é a enxaqueca com aura. Histórico de trombose, determinadas condições cardiovasculares, hipertensão arterial, tabagismo e doença auto-imune também interferem na decisão contra o uso de pílulas.
Anticoncepcional pode ajudar com cólica, fluxo ou acne?
Contracepção não precisa ser pensada apenas como prevenção da gravidez.
Dependendo do método e da situação da paciente, podemos também buscar benefícios como redução do fluxo menstrual, melhora das cólicas e controle de alguns sintomas relacionados ao ciclo. Determinados contraceptivos combinados também podem ajudar no controle de acne e hirsutismo.
E qual é o anticoncepcional mais eficaz?
Se a prioridade número um é maximizar a eficácia e minimizar a chance de erro de uso, DIUs e implantes estão entre as melhores opções reversíveis disponíveis.
Mas eficácia não é o único critério. Um método pode ser excelente no papel e péssimo para uma determinada mulher se ela não se adaptar aos efeitos sobre o sangramento, não gostar da forma de uso ou tiver alguma contraindicação.
E a camisinha? Ainda preciso usar?
Existe uma diferença fundamental entre prevenir gravidez e prevenir infecções sexualmente transmissíveis.
Pílula, DIU, implante e outros métodos contraceptivos não protegem contra ISTs.
O preservativo é o método que também oferece proteção contra infecções sexualmente transmissíveis, incluindo HIV. Por isso, dependendo da situação, podemos utilizar a chamada dupla proteção: preservativo + outro método contraceptivo.
Então, como eu escolheria?
“O que eu espero do meu anticoncepcional?”
Talvez sua prioridade seja não precisar lembrar de nada.
Talvez seja diminuir muito a menstruação.
Talvez você queira evitar hormônios.
Talvez pretenda engravidar em um futuro próximo.
Ou talvez esteja insatisfeita com o método que usa hoje.
Tudo isso importa.
A melhor escolha é aquela que combina eficácia, segurança e suas preferências e que você consegue usar confortavelmente na sua vida real.
Está pensando em começar ou trocar seu anticoncepcional?
Você não precisa chegar à consulta sabendo qual método quer usar.
Na verdade, parte da consulta é justamente entender seu histórico de saúde, sua rotina, seu ciclo menstrual e seus planos para o futuro para comparar as opções que fazem sentido para você.
Se você está pensando em começar um anticoncepcional, trocar o método atual ou simplesmente quer entender melhor suas opções, podemos fazer essa escolha juntos.
Dr. Márcio Jordão Napoli
Ginecologista e Obstetra | São Paulo – SP
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Sobre o autor
Dr. Márcio Jordão Napoli
Médico Ginecologista e Obstetra
CRM-SP 62610
Conteúdo informativo e educacional. Este artigo não substitui uma avaliação médica individualizada.
Referências
Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Método contraceptivo: escolha deve considerar segurança, perfil clínico e estilo de vida da mulher. 2026.
World Health Organization. Medical eligibility criteria for contraceptive use. 6ª edição, 2025.
World Health Organization. Family planning/contraception methods. 2025.
American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG). Birth Control e Long-Acting Reversible Contraception (LARC): IUD and Implant.


